Proposta em discussão pelos líderes prevê proibição de entrada de pessoas portando panfletos, banners, cartazes e faixas
Após ser ocupada por manifestantes na terça-feira e ter a fragilidade na segurança exposta, a Câmara dos Deputados se prepara para restringir o acesso da população às suas dependências, incluindo profissionais da imprensa. Irritados com o caos que se instalou, deputados fizeram sugestões de mudanças e alguns defenderam estender as limitações aos jornalistas. A intenção é se espelhar em países como a Inglaterra, em que o acesso ao plenário é vetado a quem não seja parlamentar.
O assunto foi discutido em reunião entre o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e os líderes partidários. Uma proposta final será elaborada pelo corpo técnico e analisada pelos parlamentares na próxima semana. Uma das sugestões é identificar as pessoas que chegam à Câmara de acordo com o local para onde querem ir, impedindo-as de ir a outras partes, e permitir a entrada apenas do número de visitantes que cada sala comporta. Outra proposta é definir que pessoas sem credencial só passem pelo salão verde durante visita guiada. “Lá não é lugar de manifestação“, comentou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). “Esse tipo de invasão não aconteceu nem na ditadura militar, foi um fato lamentável que não pode se repetir”, afirmou o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Chinaglia foi o autor da proposição de impedir que a imprensa permaneça no plenário — hoje, jornalistas credenciados e assessores têm acesso direto aos parlamentares. “No plenário, a não ser parlamentar e assessor, não pode entrar ninguém. Isso é em qualquer parlamento doplaneta e inclui a própria imprensa, que não pode, como às vezes acontece, entrevistar um líder ao lado do microfone.”
A ideia foi apoiada por parte dos presentes à reunião. De acordo com interlocutores, Henrique Alves já vinha reclamando do risco de as câmeras alcançarem a tela de celulares ou o conteúdo do voto dos deputados no plenário. À noite, Henrique se reuniu com jornalistas para dizer que não pretende proibi-los de entrar no plenário, mas irá estabelecer novas regras para evitar que profissionais da imprensa cheguem até o local de votação: “Essa bagunça vai acabar”.
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