O filme, do ponto de vista do WikiLeaks é irresponsável, contraproducente e danoso.
Talvez você já saiba sobre o filme The Fifth Estate, que será lançado no dia 11 de outubro deste ano (pelo menos, no Reino Unido). Ele se propõe a falar sobre o WikiLeaks e seu criador, Julian Assange (interpretado por Benedict Cumberbatch – com uma caracterização ótima, inclusive), e o vazamento de documentos secretos referentes à guerra do Iraque que tornou o site conhecido em todo o mundo. Adivinha quem não ficou nada contente com isso? O WikiLeaks e o Julian Assange.


O roteiro dele foi baseado em dois livros que falam da vida de Assange e, consequentemente, sobre o site: Inside WikiLeaks: My Time with Julian Assange at the World’s Most Dangerous Website, de Daniel Domscheit-Berg, e WikiLeaks: Inside Julian Assange’s War on Secrecy, de Luke Harding. Ambos tinham “disputas pessoais e judiciais” com o WikiLeaks e o primeiro, inclusive, é um co-fundador do site mas deixou de fazer parte em setembro de 2010. Nenhum membro atual foi consultado, ou seja, o filme só mostra um lado da história. Pelo menos, é isso que é dito num memorando no qual o WikiLeaks aponta os erros do roteiro, além de, claro, divulgar o próprio roteiro. Segundo é afirmado, eles tiveram acesso a várias versões do texto e o publicado é o final, comprovado por uma exibição antecipada à qual alguns membros do grupo estiveram presentes (caso queira dar uma lida, está aqui).


Há uma bela lista de acusações feitas pelo WikiLeaks referentes à história de The Fifth Estate. Entre elas, destacamos algumas: É insistido que se trata de uma obra de ficção, apesar dos nomes de pessoas e locais serem reais. Nem todas estiveram nos acontecimentos narrados e nem todos eles ocorreram como mostrado. Por exemplo, a participação de Domscheit-Berg no WikiLeaks foi encerrada bem antes do mostrado no longa. Julian Assange não é a pessoa mostrada no filme. Ele não faz parte de nenhum culto nem pinta o cabelo de branco; isso foi inserido para criar um personagem mais enigmático e interessante. O timing é suspeito, já que o filme será lançado “coincidentemente” na mesma época em que o governo americano tenta mover uma ação judicial contra o WikiLeaks e Assange, além do apelo do soldado Chelsea Manning (que vazou documentos secretos para o site). Ao contrário do que é mostrado, os vazamentos do WikiLeaks nunca prejudicaram nenhum informante.
Recomendo dar uma lida no documento. Não é tão longo e, mais para o final, vira uma espécie de resumo das atividades mais importantes do WikiLeaks até hoje. Também vale lembrar que The Fifth Estate não é o primeiro filme que fala da vida de Assange; Underground: The Julian Assange Story foi lançado no Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2012. Por ter sido mencionado pelo memorando, provavelmente sua história está mais de acordo com a verdade – ou, pelo menos, o que o WikiLeaks jura que seja verdade.


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