Para defensor público do caso, policiais se excederam: 'havia outras maneiras de reagir à suposta agressão', diz

O irmão de Fabrício Chaves, o estoquista de 22 anos que foi baleado pela polícia no protesto deste sábado (25) diz que, após uma perseguição ocorrida durante a manifestação o jovem "ficou com medo e correu" “Ele se dispersou e depois não sei o que aconteceu. Ficou com medo e correu”, afirma Gabriel Cháves, que estava com o irmão no protesto e, neste domingo, o acompanha na Santa Casa.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, ele levou dois tiros: um no tórax e outro no pênis. O primeiro causou hemorragia e o segundo obrigou a retirada de um testículo. Ele passou por uma cirurgia, o estado de saúde é grave, mas estável. Segundo a Secretaria de Segurança, ao ser abordado, Fabrício teria tentado esfaquear um dos policiais com um estilete e ainda carregava um artefato explosivo.

Defesa

Para o defensor público Carlos Weis, que assumiu a defesa de Fabrício Chaves, o incidente é uma consequência até certo ponto esperada da reação policial aos protestos. “O que aconteceu é um decorrência dessa reação execerbada aos protesto”, diz Weis. Segundo o defensor, as informações preliminares dão conta de que Fabrício foi abordado por três policiais e estava armado de um estilete.

“Claro que os policiais se excederam na ação porque, mesmo que ele [Fabrício] tenha ido para cima dos três com uma arma branca, havia outras maneiras de se contrapor a essa suposta agressão não atingindo uma parte vital do corpo" O defensor pedirá que o jovem responda ao processo em liberdade. Fabrício está, mesmo internado, detido em flagrante em razão da suposta agressão. A segurança do hospital confirmou que a polícia faz a escolta de Fabrício. A família marcou para esta segunda (27), uma vigília em frente à Santa Casa. Clique aqui e acesse o evento no Facebook 'Vigilia pelos feridos pela PM em São Paulo.

A manifestação deste sábado (25) reuniu cerca de 1.500 pessoas que protestavam contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. Apesar de início pacífico, o fim do ato teve ocorrências de depredação a ônibus, agências bancárias e concessionárias de carros. A polícia reagiu com bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogênio. No fim do protesto, 128 manifestantes foram detidos. Todos eles foram liberados na manhã deste domingo (26).

A página no Facebook Advogados Ativistas postou uma nota sobre o caso, leia:

Estamos nesse momento na Santa Casa, prestando todo auxílio possível para a família de Fabricio Chaves, manifestante de 22 anos que foi baleado por policiais militares. Fabricio encontra-se em coma após levar dois tiros. 

Um atingiu a virilha, sendo necessário remover um dos testículos do jovem, o outro disparo atingiu o tórax. Moradores de Higienópolis, região em que Fabricio foi alvejado, disseram que durante a ação era possível ouvir os policiais gritarem “ Mata! Mata!”. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública comunicou que Fabricio reagiu a uma abordagem policial, tentando ferir um dos PMs com um estilete. A Policia afirma também ter encontrado um coquetel molotov em sua mochila. 

O jovem possui marcas de “mata leão”. De qualquer modo, em um cenário onde policiais militares devem enfrentar um estilete, é possível considerar o uso de armas não letais. Desde o ocorrido Fabricio encontra-se em um quarto sob a guarda de dois policiais. Não tem sido sequer permitida a visita da família, que inclusive não chegou a ser comunicada, tomou conhecimento dos fatos através da Folha de São Paulo. 

Até o presente momento a única versão relatada é a versão da Policia. Manifestantes começaram a montar uma pequena ocupação para a realização da vigília de Fabricio, agendada para amanhã. Em parceria com Carlos Weis, do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria, estamos fazendo o possível para apoiar os familiares de Fabricio. O nosso acesso ao auto de flagrante tem sido claramente dificultado pela Policia. Seguiremos ativos.

Assista ao vídeo Homem é baleado durante protesto contra Copa em SP:


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Fonte: Último Segundo



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