Há alguns dias o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, levantou polêmica ao sugerir que o maior buscador da internet brasileira pode ameaçar os negócios das teles e das TVs a ponto de "engolir os dois". "Acho que o Google está se tornando o grande monopólio da mídia", opinou ele.

A posição do ministro não é unânime. Cris Camargo, gerente de Marketing do IAB Brasil, considera que embora as TVs exerçam papel importante no país, a comunicação está evoluindo através dos meios digitais. "Acredito que toda a indústria irá se reorganizar. As TVs irão se digitalizar, a internet estará em todos os meios. Não haverá ameaça, mas sim reorganização e integração", avalia.

E a gigante de buscas não produz uma linha sequer de conteúdo, o que a permite se esquivar da polêmica. Quando procurada pelo Olhar Digital para comentar a declaração de Bernardo, a empresa se limitou a dizer que "a internet é o ambiente mais livre e competitivo do mundo".

CAMPEÃO DA MÍDIA

Por mais que não ponha a mão na massa diretamente, o Google indexa material produzido por entidades e internautas do mundo todo, o que a tornou a maior empresa de mídia do planeta e lhe rendeu dores de cabeça.

Na França, eles tiveram de pagar o equivalente a R$ 161 milhões para manter o Google News, caso que abriu campo para que se questionasse os métodos da empresa em toda a Europa. E no Brasil a ANJ (que representa 90% dos jornais do país) recomendou que seus associados deixassem a ferramenta, que desde 2011 ficou esvaziada.

Esse pessoal está de olho no dinheiro que a gigante de buscas ganha ao associar anúncios com o material produzido por eles - afinal, a receita publicitária do Google supera a de toda a mídia impressa dos EUA.

CENÁRIO BRASILEIRO

No Brasil a internet ainda não chega nem perto da TV, em termos de relevância no mercado publicitário. Somente 15% dos investimentos feitos por anunciantes daqui vão para a web. Ainda assim, o Google possui o nome mais forte do setor.

Basta fazer as contas: 61% da verba de anunciantes que vai para a internet no Brasil estão nas mãos de empresas de pesquisas; o Google responde por 96,17% das buscas realizadas no país, então quase todo o dinheiro fica com ele.

Não foi só o Paulo Bernardo que prestou atenção a esses números, a presidenta Dilma Rousseff também já levantou seu radar e botou a Receita Federal para analisar a contabilidade da companhia. O órgão procurará possíveis crimes de sonegação fiscal cometidos por empresas de tecnologia - o que também envolve o Facebook.

As companhias serão investigadas por comercializar serviços aqui via cartões de créditos internacionais, recebendo em subsidiárias estabelecidas em outros países. Para o governo, o modelo de negócios precisa ser revisado porque utiliza brechas que permitem o pagamento de menos impostos.

O Google respondeu ressaltando os investimentos feitos no país desde sua chegada, em 2006, e afirmando: "Nós pagamos todos os impostos que são devidos no Brasil, assim como em todos os outros países onde operamos."

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Fonte: Olhar Digital 


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