Medida é necessária para proteger população de etnia russa e oficiais de base militar na estratégica Crimeia, justifica Putin

A votação unânime formaliza o que autoridades ucranianas descreveram como uma "invasão e ocupação militares" em andamento por soldados russos na estratégica Península da Crimeia. Na sexta, homens armados descritos como soldados russos tomaram o controle de aeroportos-chave e de um centro de comunicações na Crimeia.

O aval do Parlamento levanta a possibilidade de que Moscou enviará seus militares para outras áreas da Ucrânia. A medida foi adotada após o líder russo ter pedido permissão do Parlamento com a justificativa de que o envio de tropas é necessário para proteger a população de etnia russa e os oficiais da Frota Russa do Mar Negro, localizada na Crimeia. "Estou submetendo um pedido para o uso das Forças Armadas da Federação Russa no território da Ucrânia se não houver a normalização da situação socioeconômica naqueles país", disse Putin em nota divulgada pelo Kremlin.

A população da Ucrânia está dividida em lealdades entre a Rússia e a Europa, com boa parte da área ocidental ucraniana defendendo vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia. A Crimea é em sua maioria falante do russo. O pedido de Putin foi feito enquanto protestos pró-Rússia aconteciam no leste falante de russo, onde manifestantes hastearam bandeiras russas e bateram em partidários do novo governo ucraniano.

O endosso parlamentar amplamente aumenta o que está em jogo no conflito depois da deposição do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych na semana passada, depois de três meses de protestos que tinham como objetivo aproximar a Ucrânia da União Europeia (UE) e afastá-la da Rússia.

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou Moscou na sexta-feira que "haverá custos" se a Rússia intervir militarmente. O pedido de Putin e a votação do Parlamento ocorreram pouco depois de o primeiro-ministro regional da Crimeia, Sergei Aksyonov, ter declarado que as Forças Armadas, a política, o serviço de segurança nacional e os guardas de fronteira na região estavam sob seu controle e ter feito um apelo para que Putin ajudasse a manter a paz. Aksyonov, o líder do principal partido pró-Rússia da península, apelou a Putin "por assistência em garantir a paz e a calma no território da república autônoma da Crimeia".

Aksyonov foi empossado pelo Parlamento da Crimeia na quinta-feira, depois que homens armados pró-Rússia tomaram o controle do prédio e as tensões aumentaram por causa da resistência da Crimeia em relação às novas autoridades em Kiev, que assumiram o poder nesta semana.

Mais cedo, o primeiro-ministro da Ucrânia, Arseny Yatsenyuk, abriu uma reunião de gabinete na capital, Kiev, pedindo que a Rússia não provoque discórdia na Crimeia, que fica no Mar Negro. "Conclamamos o governo e as autoridades da Rússia a reconvocar suas forças e a reposicioná-las em suas estações", disse Yatsenyuk, citado pela agência de notícias russa Interfax.

"Companheiros russos, parem de provocar a resistência militar e civil na Ucrânia." A Crimeia apenas se tornou parte integrante da Ucrânia em 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev transferiu a jurisdição da Rússia, uma medida que era uma mera formalidade quando a Ucrânia e a Rússia faziam parte da União Soviética (URSS).

O colapso da URSS em 1991 significou que a Crimeia ficou para uma Ucrânia independente. A Rússia adotou uma posição de confronto em relação a seu vizinho depois de o pró-russo Yanukovych ter fugido do país. Yanukovych foi destituído pelo Parlamento depois de semanas de protestos que deixaram mais de 80 mortos. Os manifestantes buscaram sua renúncia depois de ele abrir mão de um acordo que aproximaria a Ucrânia da UE para alinhar-se à Rússia.

Yanukovych se refugiou na Rússia e diz que ainda é o presidente. Aksyonov, o líder do principal partido pró-Rússia da península, apelou a Putin "por assistência em garantir a paz e a calma no território da república autônoma da Crimeia". Aksyonov foi empossado pelo Parlamento da Crimeia na quinta-feira, depois que homens armados pró-Rússia tomaram o controle do prédio e as tensões aumentaram por causa da resistência da Crimeia em relação às novas autoridades em Kiev, que assumiram o poder nesta semana.

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Fonte: Último Segundo


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