A Prefeitura de São Paulo fechará em setembro dois espaços de convivência da zona leste de São Paulo, conhecidos como tendas. Juntos, eles oferecem atendimento a 400 moradores de rua por dia.Nos locais, abertos em abril de 2012 sob dois viadutos, os sem-teto lavam roupas, tomam banho, fazem cursos de corte de cabelo e artesanato. Recebem ainda auxílio psicológico e para tirar documentos.

O funcionário da tenda Alcântara Machado Paulo Escobar, 36, disse que eles não foram avisados com antecedência do fechamento - nesta terça (5), os cerca de 80 empregados, todos terceirizados, assinaram aviso prévio. "A gente soube ontem (4/7) à tarde que seríamos demitidos.

Mas nossa maior preocupação é com os moradores de rua. Eles criaram um vínculo com os espaços e a prefeitura está retirando isso."O morador de rua Mauro de Souza, que mora embaixo do viaduto Alcântara Machado há nove meses, disse que não sabe para onde vai."Quando a tenda acabar e a PM tirar a gente, onde vamos tomar banho, aprender uma profissão e ter acesso a cultura? Se a gente se dispersar, vamos incomodar ainda mais a vizinhança", disse. Maykon Percídio Santana, 26, trabalha na Bresser e disse que os outros centros da região não comportam mais atendimentos.

 "O São Martinho não suporta nem a demanda deles. Não tem água para tomarem um banho nem espaço para lavarem as roupas."O padre Júlio Lancellotti, da Pastoral da Rua, disse que essa foi uma decisão higienista. "A comunidade não foi consultada."Na região há 17 anos, o morador de rua Amaral Henrique de Sousa, 22, promete radicalizar. "Vai ter guerra. Vamos brigar com o prefeito."

OUTRO LADO

A Secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que as atividades nas tendas serão encerradas "por conta dos serviços não atenderem os objetivos propostos, além de estarem com problemas estruturais por serem instaladas nos baixos de viadutos".

Os moradores de rua serão encaminhadas para os núcleos São Martinho de Lima e Casa Restaura-me, que, segundo a prefeitura, ficam na região e tiveram a capacidade de atendimento ampliada.O São Martinho passou de 350 atendimentos diários para 600. Já a Casa Restaura-me ganhou mais 150 vagas.A Subprefeitura da Mooca informou que consultará associações, polícia e moradores sobre "qual é o uso adequado" para os locais onde estão as duas tendas.

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Fonte: Folha de S. Paulo 

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