Falecido em 28 de novembro, vítima de parada cardíaca, Felipe Bastos Alves ficou preso por mais de dois meses no Presídio Regional Para a família de Felipe Bastos Lopes, 33, somente o papel da Justiça não basta. O mototaxista foi preso em 16 de janeiro, acusado de estupro. No entanto, exame do Instituto Geral de Perícia (IGP) mostrou que o material genético periciado não era compatível, o que levou Lopes a ser considerado inocente no caso em sentença publicada dia 20 de novembro.

Agora, a viúva Iasmin dos Santos, 21, tenta atender ao pedido do marido - feito antes de morrer, oito dias depois da absolvição: espalhar aos quatro ventos sua inocência. Ele lutava contra uma depressão profunda e no dia 28 de novembro não resistiu a duas paradas cardíacas, deixando a viúva e uma filha de 11 meses. "Meu marido era inocente. Ele passou dois meses e meio na prisão sem poder tomar banho de sol, foi queimado com água quente e sofreu psicologicamente com os horrores que viu.

Tudo por um crime que não cometeu", desabafou. Felipe Lopes foi apontado como suspeito do estupro cometido no início deste ano, na manhã de domingo, 5 de janeiro. Neste dia, uma mulher de 36 anos solicitou corrida de mototaxi na esquina das ruas Lobo da Costa com Marechal Deodoro até um hospital da cidade para fazer uma consulta. Como não foi atendida, deixou o local no mesmo veículo, pedindo que o condutor a levasse de volta ao ponto. Em depoimento à polícia, ela disse que solicitou o serviço com intenção de ir para casa. Segundo a vítima, o motociclista teria tomado outro caminho - em direção à estrada do Engenho, no bairro Areal, onde investiu contra a passageira. Primeiro a agrediu a socos, depois o estupro seguido de roubo. Ferida, a mulher foi até a avenida Ferreira Viana, onde recebeu ajuda e encaminhada ao Pronto-Socorro de Pelotas (PSP).

A polícia, então, passou a investigar os mototaxistas do ponto. Lopes teria sido reconhecido em fotos e pessoalmente, fazendo com que a Justiça concedesse a prisão preventiva a ser cumprida no Presídio Regional de Pelotas (PRP), onde o mototaxista permaneceu até o início de abril. Segundo a viúva de Lopes, o drama de carregar a culpa do estupro durou até setembro, quando saiu o resultado do laudo do IGP. "Nesse tempo meu marido caiu em depressão, pois ninguém queria lhe dar emprego.

Durante dois meses vendeu rapadura, até que um senhor que tem ponto na avenida Duque de Caxias resolveu dar uma chance a ele." O dia 20 de novembro, quando a Justiça declarou a inocência de Felipe Lopes, poderia ser marcado por uma retomada de vida. Mas o coração já estava fraco. "Meu único desejo é que meu marido não carregue a fama de estuprador."

O que diz a Polícia

A titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), delegada Lisiane Mattarredona, diz estar com a consciência tranquila. "Fizemos o levantamento de todos os mototaxistas cadastrados na Prefeitura. A vítima reconheceu o suspeito por fotografia e depois pessoalmente. O indicado como autor do estupro trabalhava no ponto próximo à região onde ocorreu o crime." Lisiane disse ainda que pediu a Lopes material genético para verificar com o que foi encontrado na vítima.

No mesmo dia a coleta de sangue foi enviada ao IGP. "Eu tinha dez dias para concluir o inquérito com base nas investigações", reiterou. A delegada lembrou ainda que Ministério Público e Judiciário aceitaram o pedido de prisão preventiva. "Nós preservamos a identidade do acusado, sendo que não informamos o nome e as fotos foram tiradas de costas. Fizemos o nosso trabalho."

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Fonte: Diário Popular



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